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Programa da Conferência
Conferência
“Os Direitos de Autor e o Licenciamento dos Recursos Educacionais na Sociedade em Rede”
Auditório da Academia Ele@rning 3 – Second Life
Dia 22 de Junho de 2010 às 21h 30
Programa:
Contextualização;
A Sociedade em Rede e o Copyright – Uma realidade ou uma utopia?
Os direitos de autor em Portugal e no Mundo;
Do Copyrigtht às licenças Creative Commons;
Os recursos educacionais abertos e a problemática da atribuição de licenças;
Conclusões;
Espaço para debate.
Conferência “Os Direitos de Autor e o Licenciamento dos Recursos Educacionais na Sociedade em Rede”
No próximo dia 22 de Junho de 2010, pelas 21H30, irá realizar-se no Auditório da Academia Ele@rning 3 – Second Life uma Conferência intitulada ““Os Direitos de Autor e o Licenciamento dos Recursos Educacionais na Sociedade em Rede”.
Junta-se em anexo o programa da mesma informando-se ainda que o site da Conferência é http://myeduweb.net/site .
Nuno Miguel Oliveira
As Tecnologias da Informação na Educação
Ao longo das últimas décadas tem-se assistido a uma constante evolução tecnológica, a qual segundo P. Drucker coloca-nos “na era da descontinuidade”. As Ciências da Educação não conseguiram acompanhar o ritmo vertiginoso das tecnologias da comunicação, motivo pelo qual diversos autores consideram de todo importante reformular o binómio ensino aprendizagem.
Depois da imprensa, do cinema, da rádio e da televisão, surge-nos a rede de todas as redes isto é, a World Wide Web (internet), a qual coloca os indivíduos à distância de um mero clique, perante uma panóplia de informação importante para o desenvolvimento do seu processo cognitivo.
Os indivíduos pensam de uma forma global, mas vêem o seu campo de acção limitado ao âmbito local.
Segundo Sonia Livingstone (1992) “o impacte potencial das novas formas de tecnologias da informação e da comunicação foi especulativamente relacionado com quase todos os aspectos da nossa vida, nomeadamente a educação (…)”
No entanto, a introdução das novas tecnologias da informação na sala de aula foi efectuada de uma forma muito prudente, uma vez que o seu uso em contextos educativos teria obviamente de considerar os fracassos do passado, nomeadamente no que se refere à televisão.
Em boa verdade a expressão de tecnologias da informação tem vindo a ser usada de uma forma massificada, quer pelos média, quer pelas próprias entidades governamentais que coordenam as áreas do ensino, situação esta, que conduziu o público em geral à criação de uma visão totalmente distorcida da verdadeira essência deste termo.
Contudo o acesso à sociedade da informação, e a correspondente participação activa nesta tem subjacente o acesso a três ferramentas essenciais a saber: os média digitais, os programas e a telemática (isto é as telecomunicações ao serviço da informática).
Independentemente das capacidade dos computadores, do grau de sofisticação dos programas e das vias de transmissão de dados, as tecnologias perdem toda a importância se os conteúdos e as competências para os criarem não forem levados em linha de consideração.
Importa aqui referir, ao nível dos conteúdos, a importância da transferência dos mesmos para suporte digital, os quais poderão ser apresentados sobre a forma de texto, imagem e som.
Obviamente que a referida transferência obriga a custo de natureza estrutural, existindo ainda alguns constrangimentos de natureza tecnológica que não se encontram de todo ultrapassados.
No entanto, não é suficiente a mera aquisição de conteúdos digitais, é de todo importante estruturar os mesmos, possibilitando a sua integração nas diversas aplicações multimédia, processo este que decorre de forma eficaz, caso exista, na sua concepção, a colaboração de equipas multidisciplinares.
Surge-nos aqui o hipertexto, ou as ligações dinâmicas, que ligam textos, imagens e sons, criando uma rede de conhecimento a qual poderá ser estruturada ou não.
Significa isto que estas redes de conhecimento podem ser mapeadas por dois sistemas de navegação, a saber, o sistema arborescente e o sistema de relações semânticas.
Um permite um caminho inequívoco, de certa forma castrador na medida em que inviabiliza desvios ao pré determinado, enquanto que o outro possibilita uma série de caminhos possíveis.
Refira-se que a navegação através de um sistema de ligações semânticas, além de permitir pesquisas, consegue estabelecer redes lógicas ao nível dos conteúdos.
O aluno assume, neste novo paradigma do ensino, com recurso a sistemas interactivos, dois papéis fundamentais, na medida em que por um lado é leitor enquanto que por outro ele é actor da sua estruturação e dos seus conhecimentos, tal como referiu M. Masselot- Girard (1999).
Mas a transferência dos conteúdos para suporte digital não é suficiente, terá de existir uma alteração na forma como os conhecimentos são transmitidos, isto considerando a forma como a informação se encontra armazenada, surgindo-nos o conceito de comunicação digital.
Contudo, para que a comunicação digital funcione no seu pleno, os destinatários da mesma terão de receber formação ao longo da vida, tentando-se combater a iliteracia digital.
Ainda no âmbito dos sistemas de informação e da sua importância no processo de aprendizagem, existe uma tendência crescente, derivada da evolução da Web 1.0 para a Web 2.0, para a criação de comunidades virtuais de aprendizagem nas quais os seus membros partilham o conhecimento, estas são extremamente úteis no processo de aprendizagem ao longo da vida, nomeadamente no que se refere aos adultos.
Em conclusão, o uso dos sistemas interactivos, através de poderosas redes de informação, irão causar uma forte erosão no poder instituído pelo professor, sendo o mesmo frequentemente confrontado com o saber que os alunos trazem consigo do exterior, saberes esses que muitas vezes se encontram à mera distância de um clique.
O aluno assume um papel activo, na construção do seu percurso formativo, cabendo ao professor coordenar, dinamizar, validar o processo cognitivo e acima de tudo não perder o grande desafio que lhe é lançado: a construção de conteúdos interactivos.
Natureza versus Educação
Ao iniciarmos esta abordagem sobre o paradigma da natureza versus educação, não poderíamos deixar de referir Piaget, pai do construtivismo, que acompanhou as mudanças nas capacidades cognitivas dos seus próprios filhos.Importa pois, reflectir um pouco se são os nossos genes que determinam aquilo que somos ou se este debate encontra-se totalmente desprovido de fundamento, na medida em que os genes e o meio ambiente são factores independentes.
Após a nossa reflexão conclui-se que não é só suficiente possuir os genes, há que levar em consideração o meio envolvente, pois a natureza humana além de ser influenciada por estes também é influenciada pela nossa alimentação e por aqueles que nos rodeiam.
Todos nós sabemos que a alimentação assume um papel fundamental na activação dos genes, isto é, os mesmos são regulados por substâncias que são provenientes da sua proximidade imediata, nomeadamente as derivadas das glândulas hormonais.
Importa pois contabilizar o impacto do meio nas diferenças de expressão dos genes. Quando nos referimos ao meio incluímos nele tudo aquilo que gira em torno do indivíduo.
Segundo Watson, o cérebro humano modifica-se a si próprio, considerando as experiências acumuladas. Com o desenvolvimento do cérebro e tendo em conta a sistemática construção do conhecimento, somos levados a afirmar que a educação modela o cérebro humano e, consequentemente, o comportamento.
Quando nos referimos a educação não nos estamos a referir àquela que é exclusivamente obtida pela via formal, mas também aquela que nossos é transmitida informalmente pelos nos pais, irmãos, avós ou amigos.
Esta variedade social e emocional condiciona o cérebro das crianças, moldando-o de forma a ajustarem-se aos climas emocionais criados pelas pessoas que mais importantes são para si.
Evidentemente que o ambiente familiar condiciona o funcionamento dos genes, sendo que as crianças que vivem em ambientes hostis tendem, em adultos, a manter esse tipo de comportamentos.
Segundo estudos já divulgados, nas famílias em que ocorre violência doméstica, as crianças que assistem a essas agressões, tendem em idade adulta a ser agressores, excepto se forem reeducados para assumir padrões de comportamento distintos.
Relembramos que o carinho e o amor manifestados pelos pais são muito importante no desenvolvimento psicológico de uma criança.
Se a mesma viver num ambiente familiar sereno, evidentemente que existem muitas mais probabilidades de ser uma criança serena, sendo que o inverso também se verifica.
Daqui se conclui que, o modo como as crianças são educadas condiciona o nível de actuação dos seus genes, dado que os pais, os amigos e demais familiares assumem um papel fundamental no temperamento das mesmas.
Não podemos menosprezar o estudo de Reiss, no qual é ainda referida a importância daquilo que a criança pensa sobre si mesma.
Entramos aqui nos conceitos de auto-estima, dado que o adolescente, quando efectua este tipo de reflexão, é de certa forma condicionado pelas suas vivências enquanto criança, encontrando-se praticamente afastadas as questões de genética, dando-se assim grande ênfase às questões de educação.
Uma vez criada essa noção daquilo que a criança ou o adolescente, pensam sobre si próprios, o seu temperamento é condicionado de uma forma que nada tem a ver com qualquer dado genético, na medida em que as suas experiências de vida conseguiram moldar esses registos, em matéria comportamental.
Em jeito de conclusão, gostaríamos de referir que a educação que é dada às crianças, as suas experiências de vida esculpem-lhes os circuitos neurais
Lisboa, 1 de Março de 2010.
Nuno Miguel Oliveira
As TIC e a Sociedade
Ao longo das últimas décadas tem-se assistido a uma constante evolução tecnológica, a qual segundo P. Drucker coloca-nos “na era da descontinuidade”. As Ciências da Educação não conseguiram acompanhar o ritmo vertiginoso das tecnologias da comunicação, motivo pelo qual diversos autores consideram de todo importante reformular o binómio ensino aprendizagem.
Depois da imprensa, do cinema, da rádio e da televisão, surge-nos a rede de todas as redes isto é, a World Wide Web (internet), a qual coloca os indivíduos à distância de um mero clique, perante uma panóplia de informação importante para o desenvolvimento do seu processo cognitivo.
Os indivíduos pensam de uma forma global, mas vêem o seu campo de acção limitado ao âmbito local.
Segundo Sonia Livingstone (1992) “o impacte potencial das novas formas de tecnologias da informação e da comunicação foi especulativamente relacionado com quase todos os aspectos da nossa vida, nomeadamente a educação (…)”
No entanto, a introdução das novas tecnologias da informação na sala de aula foi efectuada de uma forma muito prudente, uma vez que o seu uso em contextos educativos teria obviamente de considerar os fracassos do passado, nomeadamente no que se refere à televisão.
Em boa verdade a expressão de tecnologias da informação tem vindo a ser usada de uma forma massificada, quer pelos média, quer pelas próprias entidades governamentais que coordenam as áreas do ensino, situação esta, que conduziu o público em geral à criação de uma visão totalmente distorcida da verdadeira essência deste termo.
Contudo o acesso à sociedade da informação, e a correspondente participação activa nesta tem subjacente o acesso a três ferramentas essenciais a saber: os média digitais, os programas e a telemática (isto é as telecomunicações ao serviço da informática).
Independentemente das capacidade dos computadores, do grau de sofisticação dos programas e das vias de transmissão de dados, as tecnologias perdem toda a importância se os conteúdos e as competências para os criarem não forem levados em linha de consideração.
Importa aqui referir, ao nível dos conteúdos, a importância da transferência dos mesmos para suporte digital, os quais poderão ser apresentados sobre a forma de texto, imagem e som.
Obviamente que a referida transferência obriga a custo de natureza estrutural, existindo ainda alguns constrangimentos de natureza tecnológica que não se encontram de todo ultrapassados.
No entanto, não é suficiente a mera aquisição de conteúdos digitais, é de todo importante estruturar os mesmos, possibilitando a sua integração nas diversas aplicações multimédia, processo este que decorre de forma eficaz, caso exista, na sua concepção, a colaboração de equipas multidisciplinares.
Surge-nos aqui o hipertexto, ou as ligações dinâmicas, que ligam textos, imagens e sons, criando uma rede de conhecimento a qual poderá ser estruturada ou não.
Significa isto que estas redes de conhecimento podem ser mapeadas por dois sistemas de navegação, a saber, o sistema arborescente e o sistema de relações semânticas.
Um permite um caminho inequívoco, de certa forma castrador na medida em que inviabiliza desvios ao pré determinado, enquanto que o outro possibilita uma série de caminhos possíveis.
Refira-se que a navegação através de um sistema de ligações semânticas, além de permitir pesquisas, consegue estabelecer redes lógicas ao nível dos conteúdos.
O aluno assume, neste novo paradigma do ensino, com recurso a sistemas interactivos, dois papéis fundamentais, na medida em que por um lado é leitor enquanto que por outro ele é actor da sua estruturação e dos seus conhecimentos, tal como referiu M. Masselot- Girard (1999).
Mas a transferência dos conteúdos para suporte digital não é suficiente, terá de existir uma alteração na forma como os conhecimentos são transmitidos, isto considerando a forma como a informação se encontra armazenada, surgindo-nos o conceito de comunicação digital.
Contudo, para que a comunicação digital funcione no seu pleno, os destinatários da mesma terão de receber formação ao longo da vida, tentando-se combater a iliteracia digital.
Ainda no âmbito dos sistemas de informação e da sua importância no processo de aprendizagem, existe uma tendência crescente, derivada da evolução da Web 1.0 para a Web 2.0, para a criação de comunidades virtuais de aprendizagem nas quais os seus membros partilham o conhecimento, estas são extremamente úteis no processo de aprendizagem ao longo da vida, nomeadamente no que se refere aos adultos.
Em conclusão, o uso dos sistemas interactivos, através de poderosas redes de informação, irão causar uma forte erosão no poder instituído pelo professor, sendo o mesmo frequentemente confrontado com o saber que os alunos trazem consigo do exterior, saberes esses que muitas vezes se encontram à mera distância de um clique.
O aluno assume um papel activo, na construção do seu percurso formativo, cabendo ao professor coordenar, dinamizar, validar o processo cognitivo e acima de tudo não perder o grande desafio que lhe é lançado: a construção de conteúdos interactivos.
Lisboa, 28 de Fevereiro de 2010.
Nuno Miguel Oliveira
