Arquivos

Cibercultura

No âmbito da Unidade Curricular de Educação e Sociedade em Rede do Mestrado em Pedagogia do Elearning, da Universidade Aberta, o docente solicitou que fosse apresentado no blog pessoal de cada um dos mestrandos um comentário sobre a noção de cibercultura, tal como é definida por Pierre Lévy, que inclua três exemplos significativos.

 Assim, as redes de telecomunicações espalhadas por todo o planeta permitem o estabelecimento de contactos amigáveis, as transações contratuais, a transferência de conhecimentos e a descoberta das diferenças entre os povos e as culturas.

Com o desenvolvimento das redes mundiais, nomeadamente com a globalização da sociedade, a informação circula a um ritmo vertiginoso, tornando-se bastante complexo para os indivíduos absorverem toda a informação.

Neste contexto, surge a noção de ciberespaço, também designado por rede, o qual mais não é mais do que um novo meio de comunicação, que emerge a partir da interligação mundial de computadores (Pierre Lévy, pág. 17).

Segundo Pierre Lévy (pág. 17) este termo designa não só a infraestrutura  material da comunicação digital, mas também o universo oceânico das informações que ele alberga, bem como os seres humanos que nele navegam e o alimentam.

Daqui se conclui que os internautas são produtores e consumidores da informação existente no ciberespaço.

O ciberespaço é-nos apresentado como o sistema dos sistemas, por isso mesmo Pierre Lévy (pag. 113) considera-o o sistema do caos.

Desta forma, o autor considera o ciberespaço como o sistema do cão,s na medida em que a informação emerge exponencialmente na rede de forma desorganizada.

Este crescimento da informação deve-se ao facto de a cada minuto, novos inputs ocorrerem na rede, sendo cada vez maior o n.º de computadores que se ligam ao ciberespaço através dos seus nós.

Cada nó de uma rede em permanente expansão tem a capacidade de se vir a tornar um emissor e um recetor de nova informação, imprevisível, bem como a possibilidade de reorganizar uma parte da interação global.

Pierre Lévy, no seu livro “Cibercultura”  refere-se ao dilúvio da informação (pág. 14) assemelhando-se este ao dilúvio bíblico, contudo o dilúvio da informação não terá fim.

 Neste sentido, uma vez que as mensagens mediáticas divulgadas na rede serão lidas por milhares de utilizadores, ela é composta de forma a gerar um denominador mental comum entre os destinatários.

O principal evento cultural anunciado pela conjuntura do ciberespaço é a desconexão da universalidade e da totalização. 

Atendendo à incapacidade humana de armazenar na sua “Arca de Noé” toda a informação, devido à sua  diversidade e constante mutação, cada indivíduo deve filtrar, organizar hierarquizar e armazenar a informação que considera relevante.

Na rede iremos encontrar uma multiplicidade de “arcas” que representam os interesses pessoais dos indivíduos, reconstituindo-se a memória coletiva através da interação dos mesmos.

 Quanto à definição de cibercultura, Pierre Lévy (pág. 17), caracteriza-a como o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), as praticas, as atitudes, as maneiras de pensar e os valores que se desenvolvem conjuntamente com o ciberespaço.

Salientamos que as atividades humanas abrangem interações entre os indivíduos, entidades materiais e ideias. É impossível separar o humano do seu ambiente material, assim como não podemos separar o mundo material das ideias através das quais estes objetos são concebidos e utilizados.

Admitindo que existem três elementos, a saber – técnica – cultura e sociedade – podemos pensar nas técnicas como o produto de uma sociedade e sua cultura.

As técnicas originam implicações sociais bastante variadas, sendo que por detrás destas existem sempre relações de interesses. Torna-se todavia bastante difícil definir as implicações sociais e culturais da tecnologia, mais precisamente da informática e da conexão à rede mundial ou à aldeia global.

As técnicas são produzidas dentro da cultura e são condicionadas por esta, ou seja, a técnica abre possibilidades sociais e culturais, mas nem sempre elas são utilizadas de igual forma em todos os locais.

 Na cibercultura, a velocidade de transformação é uma constante pelo que os indivíduos não conseguem estar permanentemente atualizados, pois ninguém tem a capacidade de participar ativamente na criação das transformações sociais em todos os ramos de especialização nem tão pouco acompanha-las de perto.

É aqui que intervém a inteligência coletiva, esta representa um dos principais motores da cibercultura.

A manutenção dinâmica de memórias em comum e a distribuição dos centros de decisão opõe-se à separação entre as atividades e a especialização da organização social.

O ciberespaço é um instrumento  privilegiado de inteligência coletiva, desenvolvendo-se com estas ferramentas os sistemas de aprendizagem cooperativa.

A Web está a desenvolver-se a um ritmo vertiginoso, verificando-se a proliferação das ferramentas colaborativas, dos blogs, fóruns, comunidades virtuais de aprendizagem bem como das redes socais.

Desta forma, importa referir que a Internet sempre foi encarada como um ponto de conexão e de partilha, no entanto ao longo da sua existência a mesma tem apresentado um caráter evolutivo.

 Segundo Pierre Lévy  o crescimento desenfreado do ciberespaço é fruto de um verdadeiro movimento social de jovens, no qual existem três princípios orientadores: interligação – criação de comunidades virtuais de aprendizagem – inteligência coletiva.

Começando pela interligação, Pierre Levy (pág. 132) considera que a ligação é sempre preferível ao isolamento, sendo a mesma considerada um bem em si próprio.

Através desta interligação passa-se  da noção de canal e rede para uma sensação de espaço globalizante, considerando-se que os veículos informativos já não estariam no espaço, tornando-se todo o espaço num verdadeiro canal interativo.

 As comunidades virtuais de aprendizagem apoiam-se na interligação, sendo que a sua construção baseia-se fundamentalmente nas afinidades de interesses, de partilha, cooperação ou permuta, isto é, terá de existir uma identidade comum independentemente do local e do espaço.

Em nossa opinião, as comunidades virtuais de aprendizagem são excelentes para a partilha do conhecimento e para a cooperação, tendo os seus participantes têm como principal recompensa  a possibilidade de manifestarem publicamente as suas opiniões, bem como a oportunidade de adquirirem pela via informal novos conhecimentos.

Pierre Lévy (pag. 135) considera que a expressão “comunidade atual” é muito mais adequada do que a expressão “comunidade virtual”.

Já no que se refere à inteligência coletiva, a mesma seria a finalidade última do fenómeno da cibercultura.

Sem dúvida que a melhor utilização do ciberespaço é colocar em sinergia os saberes, as energias, as imaginações dos que se ligam à rede.

No entanto, segundo Pierre Lévy a cibercultura é mais uma fonte de problemas do que de soluções.

Fora das interligações e das comunidades virtuais de aprendizagem somos cada vez mais um ser infoexcluído, atendendo ao facto de que quem não marca a sua presença no ciberespaço não existe.

Para finalizar apresento alguns exemplos tais como o correio eletrónico, Web conferências, Instant Real Chat (MIRC), Windows Live, Skype, os fóruns de discussão, os ambientes de aprendizagem 3D, as comunidades virtuais de aprendizagem, E-Learning e as redes sociais.

Bibliografia:

 Castells, Manuel (2007a),  A Sociedade em Rede.  A Era da Informação: economia, sociedade e cultura, (3.ª Ed. – Vol I). Lisboa. Fundação Calouste Gulbenkian.

 Castells, Manuel (2004). A Galáxia Internet. Reflexões sobre Internet, negócios e sociedade. Lisboa. Fundação Calouste Gulbenkian.

 LÉVY, Pierre (2000), Cibercultura, trad. José Dias Ferreira, 1.ª Ed.: Instituto Piaget.

  

Programa da Conferência

Conferência

“Os Direitos de Autor e o Licenciamento dos Recursos Educacionais na Sociedade em Rede

 

Auditório da Academia Ele@rning 3 – Second Life

Dia 22 de Junho de 2010 às 21h 30

 

Programa:

Contextualização;                  

A Sociedade em Rede e o Copyright – Uma realidade ou uma utopia?

Os direitos de autor em Portugal e no Mundo;

Do Copyrigtht às licenças Creative Commons;

Os recursos educacionais abertos e a problemática da atribuição de licenças;

Conclusões;

Espaço para debate.

 

Conferência “Os Direitos de Autor e o Licenciamento dos Recursos Educacionais na Sociedade em Rede”

No próximo dia 22 de Junho de 2010, pelas 21H30,  irá realizar-se no Auditório da Academia Ele@rning 3 – Second  Life uma Conferência  intitulada ““Os Direitos de Autor e o Licenciamento dos Recursos Educacionais na Sociedade em Rede”.

Junta-se em anexo o programa da mesma informando-se ainda que o site da Conferência é http://myeduweb.net/site .

Nuno Miguel Oliveira

Recursos Educacionais Abertos – Actividade 2

O trabalho apresentado neste Post destina-se à Unidade Curricular de Materiais e Recursos para e-learning.

 

 Nuno Miguel Oliveira

Escrita Colaborativa na Cultura Digital

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.